ENSINO PÚBLICO NA UTI
Resultados comprovam situação de total abandono e falta de sensibilidade dos políticos com a educação pública na Bahia
Alex Sena
A educação na Bahia está longe de ser prioridade para os governantes. Mais de dois milhões de baianos não sabem ler e nem escrever. É o que mostram as pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de os dados serem alarmantes, o poder público não revela preocupação com a situação. Prova disto foi o percentual de 4,5% de reajuste salarial que o Governo quer dar aos professores com nível superior da rede estadual de ensino e 17 % aos de nível magistério.
Essa discrepância salarial levou a categoria a deflagrar uma greve em 2007 – enquanto os deputados federais autoreajustaram seus vencimentos em quase 30%. Estes fatos são apenas sintomas que têm na sua origem outros graves problemas que fazem como maiores vítimas os estudantes. Os baixos salários dos professores, a falta de estrutura física e administrativa das escolas, além da criação de programas que apenas ajudam a maquiar o quadro da educação no estado – como Educação para Jovens e Adultos (EJA), que oferece aos alunos a possibilidade de concluir o ensino médio em apenas dois anos, pioram ainda mais essa situação caotica.
REAJUSTE – É difícil viver em um país onde os deputados federais aprovam um reajuste salarial de quase 30% em benefício próprio e os professores têm que fazer greve para conseguir reajuste nos seus vencimentos”, desabafa o professor Beneval Santana. “Com o salário que ganhamos fica difícil sobreviver, além de ser impossível investir em cursos, fazer assinaturas de revistas e comprar livros, enfim, nos qualificarmos para o desempenho necessário em sala de aula”, completa.
De acordo com o diretor jurídico da APLB-Sindicato, José Dias, há professores que têm jornada de 60 horas aula, para ter um dinheiro melhor no bolso, o que os deixa estressados e desse jeito contribuem para o baixo rendimento dos estudantes.
VERGONHA – Todo esse descaso com a educação pública se observa nos resultados do Exame do Ensino Médio (ENEM – 2006), que revela o catastrófico desempenho dos estudantes do ensino público baiano. Eles obtiveram 15 pontos a menos em relação aos alunos das escolas particulares. Para acentuar essa situação, a Bahia obteve pontuação abaixo da média do Nordeste.
Neste contexto, o quadro da educação pública agoniza na Bahia e o governo não sinaliza com nenhuma proposta para a melhoria da situação. “O governo atual está contribuindo para a manutenção desse quadro catastrófico na medida em que não atua de maneira diferente dos governos anteriores”, critica Igor Fabricius, 17, estudante do Colégio Odorico Tavares. As lideranças mudaram, mas o abandono com a educação continua a comprometer o futuro do País. As promessas de priorizar a educação ficaram apenas na campanha eleitoral
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